O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) elevou o tom contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, durante um ato de campanha realizado nesta quarta-feira (16), no Recife. O senador acusou o petista de oferecer sustentação política ao togado, mesmo diante da crise provocada pelas mensagens atribuídas a Moraes e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Flávio afirmou que Lula deve a Moraes o retorno ao Palácio do Planalto e, por essa razão, evita confrontar o ministro. O candidato também chamou atenção para a mudança de postura do petista, que fez críticas ao Judiciário e, posteriormente, voltou a elogiar a atuação de Moraes.
“Se o Lula foi declarado presidente da República, ele deve ao Alexandre de Moraes. Ontem criticou, hoje já elogiou e passou a mão na cabeça dele”, declarou Flávio.
Na sequência, o candidato dirigiu uma cobrança direta:
“Está devendo, Lula? Está devendo, Lula?”
Embora Alexandre de Moraes tenha sido indicado ao STF pelo então presidente Michel Temer, em 2017, o questionamento de Flávio está concentrado na sustentação política oferecida atualmente por Lula. O petista voltou a defender Moraes nesta quarta-feira e afirmou que o ministro prestou serviços à democracia, mesmo após a revelação de diálogos que colocaram sua conduta sob questionamento.
Flávio também vinculou a eleição presidencial ao futuro do Supremo. O candidato afirmou que pretende indicar ministros comprometidos com a Constituição, contrários ao aborto e à legalização das drogas, além de afastados da perseguição política contra adversários. Durante sua passagem pelo Nordeste, ele declarou que poderá nomear até cinco integrantes da Corte ao longo de um eventual mandato. A projeção considera aposentadorias previstas, uma cadeira atualmente aberta e a possibilidade de afastamento de Moraes.
O discurso ganhou força depois que o STF encerrou sem conclusão a sessão extraordinária destinada a discutir a abertura de uma investigação contra Moraes. O julgamento foi interrompido após pedido de vista de Flávio Dino, indicado por Lula. A movimentação adiou uma definição sobre o caso e alimentou críticas de que ministros estariam atuando para proteger um integrante da própria Corte.
Para Flávio, a sessão revelou que ainda existe resistência dentro do Supremo à tentativa de impedir uma apuração. O candidato classificou o episódio como uma oportunidade de mudança e sustentou que o Judiciário precisa recuperar sua independência, sua credibilidade e o respeito aos limites constitucionais.
Fonte: Ag. Brasil

























