O relatório de 218 páginas da Polícia Federal sobre a relação entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, tornado público nesta terça-feira (1º), trouxe à tona contratos milionários entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, além de registros de encontros pessoais e trocas de mensagens entre Vorcaro e o magistrado.
Para o senador Marcos Do Val (Avante/ES), o conteúdo do relatório não é novidade. Ele só dá materialidade a um alerta que ele já vinha fazendo publicamente há pelo menos quatro anos, em lives nos seus canais do YouTube e Instagram, entrevistas e discursos no plenário do Senado. Há farto material gravado no qual o senador capixaba já apontava os abusos de poder cometidos por Alexandre de Moraes à frente do STF e antecipava que a conta chegaria um dia. É o que está acontecendo agora.
“Eu disse, em várias ocasiões, que era questão de tempo até que viesse à tona o que está por trás dessas relações. Não falei por acaso, falei porque tinha informação”, afirmou o senador.
Do Val sempre foi alvo de descrédito da imprensa e de ironia de adversários políticos ao afirmar, repetidas vezes, manter canal direto com autoridades do Departamento de Estado dos EUA, incluindo integrantes da equipe do secretário Marco Rubio. Segundo o senador, essa relação inclui o compartilhamento de informações com o governo americano sobre as investigações que ele vem conduzindo desde 2023 sobre a trama que culminou nos ataques de 8 de janeiro daquele ano.
Foi também com base nesses contatos no governo Trump que o senador afirmou, ainda em 2025, que era questão de tempo para que os Estados Unidos aplicassem sanções da Lei Magnitsky contra Moraes. Isso ocorreu de fato em julho daquele ano, antes de as sanções serem suspensas em dezembro. Esses alertas, inicialmente recebidos com ceticismo pela imprensa, demonstraram que, de fato, Do Val teve acesso a informações privilegiadas.
“Fui chamado de mentiroso, de sensacionalista, de golpista por antecipar o que estava para vir. Hoje o relatório da própria Polícia Federal traz nomes, valores e datas. Eu não inventei nada. Eu avisei”, lembra Do Val.
Ele afirma que continuará utilizando seus canais, redes sociais, entrevistas e a tribuna do Senado , para cobrar apuração rigorosa dos fatos revelados pelo relatório e reforça que sua atuação seguirá pautada pela defesa da transparência nas instituições brasileiras.
Fonte: Ag. Brasil
























