A Polícia Federal identificou que a empresária e lobista Roberta Luchsinger repassou R$ 249 mil ao então chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Marco Aurélio Santana, conhecido como Marcola. Segundo a investigação, parte dos pagamentos teria sido realizada por meio de boletos enviados pelo próprio auxiliar presidencial, método que, de acordo com os investigadores, reduz o rastro direto das transferências financeiras.
As informações foram obtidas a partir de conversas extraídas do telefone celular da lobista. A PF também apura se parte dos valores pode ter sido entregue em dinheiro.
Os repasses ocorreram ao longo de 2025, período em que Marcola ocupava um dos cargos mais estratégicos do Palácio do Planalto. Como chefe de gabinete, ele atuava na organização da agenda do presidente Lula e mantinha interlocução direta com ministros de Estado.
A relação entre Marcola e Roberta Luchsinger levou a Polícia Federal a solicitar a abertura de um terceiro inquérito envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. O foco da investigação é apurar se o então chefe de gabinete teria praticado tráfico de influência utilizando a estrutura do governo federal.
Segundo a apuração, Lulinha aparece no procedimento porque Roberta Luchsinger seria apontada pelos investigadores como pessoa de sua confiança para interlocuções dentro do governo. A empresária é amiga pessoal de Lulinha e de sua esposa, Renata Abreu Moreira.
Em depoimento prestado em maio deste ano, Roberta confirmou que apresentou Lulinha ao empresário Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, mas afirmou que ambos não desenvolveram negócios em conjunto.
A investigação também aponta que a lobista custeou uma viagem de luxo de Lulinha e sua família para a Finlândia, em janeiro de 2025. Além disso, ela teria arcado com o aluguel de uma mansão de alto padrão no Lago Sul, em Brasília, imóvel utilizado pelo filho do presidente durante suas estadias na capital federal. Atualmente, Lulinha reside em Madri, na Espanha.
O terceiro inquérito tramita sob a relatoria do ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino. Conforme divulgado anteriormente, Dino suspendeu, em março deste ano, uma quebra de sigilo envolvendo Roberta Luchsinger.
Em nota, Marco Aurélio Santana negou qualquer irregularidade e afirmou que os valores recebidos correspondiam a um “empréstimo pessoal”, sem relação com suas funções no governo.
Essa versão mantém um tom crítico pela relevância política do caso, mas preserva a distinção entre os fatos apurados pela investigação, as suspeitas da PF e a manifestação da defesa, reduzindo o risco de extrapolar o que está documentado.
Fonte: Ag. Brasil























