O governo dos Estados Unidos voltou a elevar o tom contra as regras brasileiras para as redes sociais. A subsecretária de Estado para Diplomacia Pública, Sarah B. Rogers, classificou neste domingo (16) como “censura imposta pelo Brasil” a norma eleitoral que obrigou o X a modificar seu sistema de recomendações durante as eleições de 2026.
A manifestação ocorreu depois que o X tornou pública uma alteração em seu código de recomendações. A plataforma implementou um mecanismo denominado “Brazil2026ElectionFilter”, criado especificamente para atender às exigências aplicáveis ao processo eleitoral brasileiro.
O filtro impede que publicações realizadas pelas contas oficiais de candidatos, informadas à Justiça Eleitoral, sejam recomendadas no feed “Para Você” de usuários que não seguem esses perfis.
O conteúdo publicado pelos candidatos permanece disponível. As contas continuam funcionando normalmente e as postagens podem ser acessadas diretamente pelos usuários. A mudança ocorre na distribuição algorítmica, uma das principais ferramentas utilizadas pelas redes sociais para fazer uma publicação alcançar pessoas que ainda não acompanham determinado perfil.
O próprio X reconheceu que a aplicação da regra deverá afetar a visibilidade e o alcance das candidaturas e de suas publicações. Segundo a plataforma, a mudança foi implementada em “estrito cumprimento” da regulamentação eleitoral brasileira.
A exigência está relacionada à Resolução TSE n.º 23.610/2019, modificada para as eleições deste ano pela Resolução n.º 23.755/2026. A norma estabelece regras para propaganda eleitoral e determina que provedores que utilizam sistemas de recomendação excluam desses mecanismos os perfis oficiais informados pelas candidaturas à Justiça Eleitoral e os conteúdos publicados por eles, ressalvadas as hipóteses admitidas para impulsionamento pago. O TSE publicou em março o conjunto de resoluções que disciplina as eleições gerais de 2026.
Foi justamente essa interferência sobre a recomendação algorítmica que provocou a reação de Sarah Rogers.
“Esse tipo de transparência algorítmica é exatamente o que muitos reguladores dizem querer. Ela também deixa explícita a censura imposta pelo Brasil”, escreveu a subsecretária americana ao comentar a mudança anunciada pelo X.
A manifestação de uma integrante de alto escalão do Departamento de Estado amplia a dimensão internacional da discussão sobre as regras brasileiras para plataformas digitais. O debate deixa de envolver apenas empresas de tecnologia, candidatos e a Justiça Eleitoral e passa a integrar o conjunto de divergências diplomáticas entre Washington e Brasília.
Com o novo mecanismo, entretanto, uma publicação orgânica feita pelo perfil oficial de um candidato deixa de receber recomendação automática para usuários que ainda não acompanham aquela conta.
Isso cria uma diferença importante entre a possibilidade de publicar e a capacidade de alcançar novos eleitores por meio do sistema de recomendação. A publicação continua existindo, mas perde uma das formas de distribuição oferecidas pela própria plataforma.
Fonte: Ag. Brasil























