Dossiê cita deputados capixabas como sócios ocultos de suposto esquema bilionário envolvendo empresas investigadas pela PF e CGU

O jornal Opinião ES recebeu um dossiê encaminhado por uma fonte que pediu para permanecer no anonimato por razões de segurança. Ela afirma temer uma eventual ”queima de arquivo”, por alegadamente conhecer de forma detalhada um suposto esquema bilionário de desvio de recursos dos cofres de prefeituras do Espírito Santo. Conforme o relato apresentado, a pessoa, que vamos chamar de José Silva, estaria buscando firmar um acordo de colaboração premiada com as autoridades e entregou documentos que apontariam o suposto envolvimento de prefeitos, secretários municipais, servidores públicos e até deputados em uma eventual quadrilha relacionada às empresas investigadas na Operação Colosso de Areia, deflagrada pela Polícia Federal (PF) e pela Controladoria-Geral da União (CGU) no último dia 8 de julho.

O material contém anotações com nomes de pessoas, datas e locais de reuniões, referências a contratos públicos e percentuais que corresponderiam ao pagamento de propina. O conteúdo está sendo analisado pela reportagem e será submetido ao contraditório antes da divulgação nominal de qualquer pessoa eventualmente citada.

Além da investigação conduzida pela PF, haveria desdobramentos no âmbito da Polícia Civil do Espírito Santo, que estaria realizando oitivas de pessoas mencionadas no caso. O Opinião ES não conseguiu confirmar oficialmente essa informação até o momento e buscará posicionamento da assessoria de comunicação da PC-ES.

A reportagem cruzou parte dos dados apresentados no dossiê com informações disponíveis em portais oficiais de transparência. A conferência confirmou que empresas mencionadas nos documentos mantiveram diversos contratos com órgãos públicos ao longo dos últimos anos. Alguns desses contratos estariam camuflados por meio de consórcios, nos quais as empresas se uniam para facilitar o processo de contratação.

As construtoras investigadas seriam formalmente administradas por “laranjas”, enquanto agentes políticos atuariam como sócios ocultos, facilitadores ou beneficiários da venda de silêncio, permitindo a obtenção de contratos públicos junto às prefeituras.

O arquivo, que agora está protegido em armazenamento em nuvem, também afirma que dois deputados exerceriam papel central na articulação da investigada conspiração e seriam beneficiários de recursos provenientes de contratos que estariam superfaturados. Ambos estariam levando uma vida de luxo, com gastos milionários. O denunciante reuniu fotos e vídeos que relacionariam, tanto por registros feitos in loco quanto por informações encontradas na internet, diversos imóveis que estariam registrados em nome de terceiros, mas que seriam, na realidade, propriedades dos políticos. Itens pessoais de grife, como roupas de alto padrão, relógios caros, viagens, inclusive internacionais, e aeronaves supostamente sustentadas com recursos desviados demonstrariam um padrão de extrema ostentação.

Um outro deputado, com menor influência junto aos prefeitos, receberia mensalmente determinada quantia para não “abrir o bico”. Segundo o denunciante, ele teria tido acesso a detalhes do plano e, em vez de investigar ou denunciar os fatos, teria ajustado valores para permanecer inerte por um período ainda desconhecido.

Outro trecho da documentação faz referência a um secretário municipal que já havia sido citado em um áudio divulgado anteriormente pelo Opinião ES, no qual, após o vazamento, surgiram outros casos envolvendo a suposta escolha prévia de vencedores de licitações. Ele estaria sendo acompanhado pelos investigadores e já teria sido oficialmente convocado para prestar esclarecimentos sobre sua eventual relação com pessoas investigadas na Operação Colosso.

Segundo a Polícia Federal, a investigação teve início após a identificação de movimentações financeiras atípicas que culminaram na apreensão de dinheiro em espécie transportado por um dos investigados logo após um saque realizado em uma instituição financeira na Grande Vitória.

A PF apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro relacionado a contratos públicos que pode ultrapassar R$ 1 bilhão em desvios ocorridos entre 2017 e 2025, mas que teriam se intensificado nos últimos anos.

O acervo indica que pessoas de diferentes espectros políticos, da direita, do centro e da esquerda, apareceriam relacionadas e entrelaçadas pelo suposto esquema de corrupção.

Fonte: Ag. Brasil