A enfermagem pede o que já é seu por direito: Santa Casa de Cachoeiro volta a atrasar pagamentos

Alan Fardin é jornalista, cristão e conservador, um pecador consciente de suas falhas, que não se fantasia de santo, mas busca viver segundo as virtudes ensinadas por Deus

No Brasil, um direito previsto em lei nem sempre se transforma em realidade. Muitas vezes, o trabalhador precisa lutar para receber aquilo que já lhe pertence. É exatamente essa situação enfrentada, segundo relatos encaminhados ao Opinião ES, por profissionais de enfermagem da Santa Casa de Misericórdia de Cachoeiro de Itapemirim.

A criação do piso nacional da enfermagem representou uma conquista histórica para uma categoria que esteve na linha de frente durante a pandemia e que diariamente sustenta o funcionamento do sistema de saúde. A legislação estabeleceu um patamar mínimo de remuneração e o governo federal passou a destinar recursos para complementar os pagamentos, valores posteriormente repassados pelo Estado aos hospitais contemplados.

Na teoria, o mecanismo deveria garantir tranquilidade aos profissionais. Porém, a realidade relatada por trabalhadores da Santa Casa é bem diferente.

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Mês após mês, os retroativos referentes à complementação do piso salarial acumulam atrasos, sem que exista um calendário transparente para os pagamentos. A consequência é a insegurança financeira de quem depende desse dinheiro para honrar compromissos básicos, como aluguel, financiamento, alimentação e contas domésticas.

Não se trata de um benefício eventual ou de uma gratificação. É um valor assegurado por lei para que o salário alcance o piso nacional da categoria. Quando esse complemento atrasa repetidamente, o prejuízo deixa de ser apenas financeiro. Ele afeta a dignidade do trabalhador.

As reclamações enviadas à nossa redação também apontam outro problema igualmente preocupante. Segundo esses profissionais, ao buscar informações sobre os pagamentos, muitos afirmam ser recebidos com descaso e, em algumas situações, dizem sentir-se humilhados ao reivindicar um direito que já lhes pertence. Se isso realmente ocorre, é uma postura incompatível com qualquer instituição que tenha como missão cuidar de pessoas.

Desde a implantação do piso nacional, os atrasos vêm sendo registrados de forma recorrente, sem que uma solução definitiva seja apresentada. O resultado é um permanente jogo de empurra, marcado pela ausência de explicações objetivas e pela falta de previsibilidade.

É difícil compreender por que um recurso destinado especificamente para essa finalidade não consegue chegar ao trabalhador dentro de um prazo minimamente razoável. Quem está na ponta não pode ser transformado em financiador involuntário da burocracia.

A Santa Casa presta um serviço essencial para Cachoeiro e para dezenas de municípios da região. Justamente por isso, espera-se da instituição o mesmo compromisso com seus profissionais que demonstra ao atender milhares de pacientes. Valorizar a enfermagem não significa apenas reconhecer sua importância em discursos. Significa garantir que os direitos previstos em lei sejam cumpridos de forma integral e dentro dos prazos esperados.

Nenhum profissional deveria precisar implorar pelo próprio salário. Muito menos quem dedica a vida a cuidar da saúde da população.

O Opinião ES procurou a Santa Casa de Misericórdia de Cachoeiro de Itapemirim. A assessoria de comunicação informou que ainda não havia recebido um posicionamento oficial da diretoria sobre os questionamentos apresentados. O espaço permanece aberto para manifestação.

Fonte: Ag. Brasil