O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), teria se referido a colegas da Corte como “inimigos” durante uma conversa com aliados. A informação foi divulgada pelo jornalista Paulo Cappelli, do Correio da Manhã, com base em relatos de interlocutores que estariam próximos ao grupo durante o diálogo.
Segundo os relatos, Moraes teria feito referência aos ministros Luiz Fux, Kassio Nunes Marques e, principalmente, André Mendonça. A suposta declaração ocorre em meio ao agravamento das divergências entre integrantes do Supremo e a uma crise institucional envolvendo decisões e investigações relacionadas ao Banco Master.
No último domingo (6), Mendonça determinou a retirada do sigilo de um relatório da Polícia Federal que reúne informações sobre a relação entre Moraes, o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet. O ministro defendeu que os elementos relacionados ao caso sejam analisados pelo plenário do STF.
A definição sobre eventual análise do material pelo colegiado caberá ao presidente da Corte, Edson Fachin, que deverá decidir se, quando e de que maneira o tema será levado ao plenário. A ministra Cármen Lúcia poderá ter papel decisivo na análise sobre a abertura de uma investigação ou o arquivamento do caso.
A tensão aumentou nesta terça-feira (8), quando Mendonça determinou o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada da Costa. O ministro também ordenou a abertura de procedimentos criminais e administrativo-disciplinares para apurar a produção de relatórios de inteligência dentro da corporação.
Segundo Mendonça, os documentos indicam que ele próprio e o advogado-geral da União, Jorge Messias, teriam sido submetidos a um “monitoramento sistemático e ilegal” durante mais de 30 dias.
Na decisão, o ministro também citou precedentes e medidas adotadas anteriormente por Alexandre de Moraes e Flávio Dino para fundamentar o afastamento dos integrantes da Polícia Federal.
O episódio amplia a crise entre ministros do STF e ocorre em um momento de forte disputa em torno da condução das investigações relacionadas ao Banco Master, dos relatórios produzidos pela inteligência da PF e dos limites de atuação das instituições envolvidas.
Fonte: Ag. Brasil

























