Carlos Manato retorna à disputa por uma cadeira na Câmara dos Deputados carregando uma das trajetórias mais consistentes da direita capixaba. Candidato a deputado federal pelo Republicanos, o ex-parlamentar reúne quatro mandatos consecutivos, experiência na Mesa Diretora, passagem pela Corregedoria da Câmara e duas campanhas para o Governo do Espírito Santo.
O peso eleitoral mais recente foi demonstrado em 2022. Manato iniciou aquela disputa, pelo PL, com 800.598 votos no primeiro turno, equivalentes a 38,48% dos votos válidos, e levou a eleição estadual para o segundo turno pela primeira vez em 28 anos. Na votação decisiva, alcançou 1.006.021 votos, ou 46,20%, diante dos 1.171.288 votos recebidos por Renato Casagrande.
Manato ainda ampliou sua votação em 205.423 votos entre os dois turnos, crescimento superior ao registrado por Casagrande no mesmo período. O resultado colocou o conservador a pouco mais de 165 mil votos do Palácio Anchieta e confirmou sua capacidade de mobilização em praticamente todo o território capixaba.
Essa votação superior a 1 milhão de votos representa o principal ponto de partida de sua candidatura à Câmara. Manato entra na eleição de 2026 com reconhecimento estadual, identificação com o eleitor conservador e uma história política diretamente relacionada à organização da direita no Espírito Santo.
A ligação com Jair Bolsonaro começou antes de a candidatura presidencial de 2018 se transformar em um movimento nacional. Os dois conviveram durante anos na Câmara e construíram uma relação pessoal que ultrapassou os compromissos partidários. Em relatos recentes, Manato recordou que Bolsonaro jantou diversas vezes em sua residência em Brasília, experimentou sua moqueca capixaba e chegou a se hospedar no local.
A casa do então deputado capixaba tornou-se um ambiente de convivência e articulação entre parlamentares que já compartilhavam posições conservadoras.
Bolsonaro reconheceu publicamente essa participação pioneira ao associar o início daquela construção política à residência do aliado.
A lembrança de que “tudo começou na casa do Manato” sintetiza uma relação formada quando a candidatura de Bolsonaro ainda enfrentava resistência dentro da própria classe política.
“Minha história com a família Bolsonaro não começou em época de eleição. Vem de muito antes da Presidência”. A mensagem publicada em suas redes sociais procura diferenciar uma aliança histórica das aproximações eleitorais que surgiram depois da vitória de Bolsonaro.
Em 2018, Manato abriu mão de buscar o quinto mandato consecutivo na Câmara para concorrer ao Governo do Espírito Santo pelo PSL. A candidatura estadual ofereceu a Bolsonaro um palanque em território capixaba, quando parte expressiva dos dirigentes ainda evitava se comprometer com o então presidenciável.
A decisão envolveu elevado risco político. Manato deixou uma disputa proporcional na qual possuía boas chances de reeleição para enfrentar uma eleição majoritária contra estruturas partidárias tradicionais. Mesmo assim, terminou em segundo lugar, com 525.973 votos, equivalentes a 27,22% dos votos válidos. O resultado oficial de 2018 mostrou que ele ficou à frente de nomes conhecidos da política capixaba, como Rose de Freitas.
A atuação foi importante para consolidar a presença partidária da direita no Estado durante a campanha que levou Bolsonaro à Presidência da República. Manato também exerceu a presidência estadual do PSL e participou da formação de candidaturas, da mobilização de apoiadores e da criação de uma estrutura conservadora que ainda estava em seus primeiros passos no Espírito Santo.
Após a vitória presidencial, Manato foi chamado para integrar o governo federal. Em 2019, assumiu a Secretaria Especial da Casa Civil para a Câmara dos Deputados, função voltada à interlocução entre o Palácio do Planalto e os parlamentares. Sua escolha ocorreu justamente pelo conhecimento acumulado durante 16 anos de atuação no Congresso.
Antes disso, Manato havia construído uma carreira parlamentar iniciada nas eleições de 2002. Exerceu mandatos de 2003 a 2007, de 2007 a 2011, de 2011 a 2015 e de 2015 a 2019. Ao longo desse período, foi vice-líder partidário, corregedor parlamentar entre 2015 e 2016 e ocupou três posições como suplente de secretário da Mesa Diretora.
O ex-deputado também integrou comissões de Saúde, Finanças e Tributação, Fiscalização Financeira, Segurança Pública, Relações Exteriores e Seguridade Social. Participou ainda da comissão externa criada para fiscalizar a concessão da BR-101 no Espírito Santo e presidiu a comissão especial que analisou a proposta de combate ao nepotismo.
O histórico registrado no perfil oficial da Câmara dos Deputados demonstra que Manato conhece o funcionamento administrativo e político da Casa. A experiência alcança desde a análise de projetos até a condução de sessões plenárias, atribuição exercida pelos integrantes da estrutura da Mesa Diretora.
Um dos principais diferenciais de Manato na Câmara foi a assiduidade. Entre 2007 e 2010, ele compareceu aos 422 dias com sessões deliberativas, sendo o único entre 633 parlamentares que passaram pela Casa naquele período a não registrar nenhuma ausência. Sua última falta havia ocorrido em 27 de setembro de 2005, devido à morte do pai. Depois disso, permaneceu mais de 11 anos sem perder uma única sessão deliberativa.
A presença constante foi acompanhada por produção parlamentar. Até janeiro de 2017, Manato já havia apresentado mais de 340 proposições e atuado como relator de 72 matérias. O ciclo desmonta a imagem recorrente de parlamentares que conquistam o mandato e se afastam das responsabilidades do cargo. Manato chegou a ser apontado como o deputado que mais presidiu sessões durante parte da legislatura. Os dados foram registrados nos relatórios de presença da Câmara dos Deputados.
A trajetória profissional também foi construída fora da política. Médico com especializações em Medicina do Trabalho, Ginecologia, Obstetrícia, Colposcopia e Administração Hospitalar, Manato trabalhou nos setores público e privado, foi professor da Escola de Medicina da Santa Casa de Misericórdia de Vitória e ocupou funções de direção no Hospital Dório Silva e no Hospital Metropolitano. É um empreendedor de sucesso em diferentes segmentos. Seu xodó é a Pousada e Cerimonial Itamaraty, onde promove casamentos e outros eventos, além de oferecer hospedagem em Pedra Azul, Domingos Martins.
Antes de chegar ao Congresso, exerceu o cargo de secretário municipal de Serviços da Serra. Depois dos mandatos parlamentares, também presidiu o Conselho Deliberativo do Sebrae no Espírito Santo. A formação médica, a experiência hospitalar e a atividade empresarial sustentam um perfil profissional que possui vida própria fora dos cargos eletivos.
A saída de Manato da Câmara, em 2019, coincidiu com a chegada da esposa, Dra. Soraya Manato ao Congresso. Ela foi eleita deputada federal em 2018 com 57.741 votos e exerceu o mandato até 2023. Na tentativa de reeleição, ampliou sua votação para 59.988 votos, mas ficou sem a vaga devido ao desempenho partidário no sistema proporcional.
Manato passou os últimos meses apresentando o nome para uma candidatura ao Senado. A definição mudou no fim de julho, quando Soraya desistiu de concorrer novamente e ele chegou a um entendimento com o presidente estadual do Republicanos, Erick Musso. A partir daí, o ex-deputado assumiu uma vaga na chapa federal e confirmou seu retorno à disputa pela Câmara.
A decisão preservou o projeto de representação nacional do grupo e colocou na nominata do Republicanos um candidato com votação majoritária, quatro eleições para deputado federal no currículo e relacionamento construído ao longo de décadas em Brasília. Essa combinação transforma Manato em um dos nomes mais competitivos da direita capixaba na eleição proporcional.
O retorno também está vinculado à eleição presidencial. Em seu perfil oficial no Instagram, Manato apresenta Flávio Bolsonaro como seu candidato à Presidência e defende a formação de uma bancada capaz de oferecer sustentação parlamentar a um eventual governo conservador.
A experiência do governo Jair Bolsonaro demonstrou a importância de uma base organizada no Congresso. A eleição de um presidente estabelece o comando do Executivo, enquanto a aprovação de projetos, reformas e medidas econômicas depende diretamente da composição da Câmara e do Senado, a chamada governabilidade.
Fonte: Ag. Brasil

























