Lorenzo Pazolini (Republicanos) acertou ao evitar que uma sabatina destinada a discutir o futuro do Espírito Santo fosse transformada em palco para assuntos que pertencem ao Congresso Nacional.
Durante entrevista à TV Gazeta, afiliada da Rede Globo no estado, o candidato ao Palácio Anchieta foi questionado se, em sua avaliação, o ministro Alexandre de Moraes deveria sofrer impeachment por crime de responsabilidade. Pazolini respondeu de maneira objetiva:
“Não sou candidato a senador. Quem tem que avaliar isso será o próximo Senado Federal.”
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A resposta foi institucionalmente correta e politicamente coerente com o contexto da entrevista. Pazolini participava da sabatina como candidato a governador, em uma transmissão exclusiva para apresentar sua candidatura e discutir as propostas destinadas à administração estadual.
Compete ao Senado Federal processar e julgar ministros do Supremo Tribunal Federal por crimes de responsabilidade. Os candidatos às duas vagas do Espírito Santo no Senado, portanto, devem ser cobrados sobre o tema, expondo com clareza como pretendem agir diante de um eventual pedido de impeachment de Alexandre de Moraes.
O governador possui outras responsabilidades constitucionais. Cabe a ele administrar áreas como segurança pública, saúde, educação, infraestrutura, desenvolvimento econômico e gestão fiscal. São essas as questões que devem ocupar o centro de uma sabatina sobre a sucessão no Palácio Anchieta.
A tentativa de transportar qualquer discussão nacional para uma entrevista estadual apenas reduz o tempo disponível para examinar aquilo que realmente interfere na vida dos capixabas. O eleitor precisa conhecer as propostas de cada candidato para combater o crime, melhorar os serviços públicos, atrair investimentos, gerar empregos e administrar os recursos do Espírito Santo.
Isso não significa que Pazolini esteja impedido de se posicionar sobre os excessos atribuídos ao ministro. Em entrevistas mais amplas, debates partidários ou eventos com formatos flexíveis, existe espaço legítimo para essas considerações. Nesses ambientes, o candidato pode apresentar sua avaliação sobre as decisões de Moraes e sobre a necessidade de o Senado investigar abusos.
Pazolini e seu principal adversário, Ricardo Ferraço (MDB), já manifestaram críticas a decisões do ministro e reconheceram que o magistrado teria ultrapassado limites legais em determinadas ocasiões. Helder Salomão (PT), que aparece mais abaixo na disputa estadual, mantém uma posição diferente e defende a atuação do integrante do Supremo.
As posições dos concorrentes estão colocadas. A eleição para o Governo do Espírito Santo, contudo, precisa ser decidida pela capacidade de cada projeto para administrar o estado.
O embate relacionado a Alexandre de Moraes deve ocupar lugar central na eleição para o Senado. Os postulantes ao cargo precisam declarar publicamente se apoiariam a abertura de investigações, se analisariam pedidos de impeachment com independência e como pretendem exercer a função de fiscalizar os ministros do STF.
Fonte: Ag. Brasil























