A Chapa 07, liderada pelo 3º sargento Leonardo Pinheiro, venceu a eleição para comandar a Associação das Praças da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar do Espírito Santo (Aspra-ES). A votação ocorreu nesta segunda-feira (31), das 9h às 17h, em unidades da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros e na sede da entidade.
Leonardo Pinheiro recebeu 1.604 votos, equivalentes a 52,56% dos votos registrados. A chapa adversária, ligada ao grupo do presidente em exercício, 2º sargento Ted Candeias Silva, alcançou 1.434 votos, ou 46,99%. A nova direção assumirá o comando da associação em janeiro.
O resultado encerra um processo eleitoral marcado por uma questão que ultrapassou a administração da entidade. A atual diretoria antecipou sua entrada no debate político estadual ao demonstrar proximidade com o ex-prefeito de Vitória e candidato ao Governo do Espírito Santo, Lorenzo Pazolini (Republicanos), sem que os filiados tivessem sido previamente consultados sobre o posicionamento.
O presidente licenciado da Aspra-ES, 3º sargento Jackson Eugênio, declarou apoio a Pazolini. Embora tenha apresentado a manifestação como uma decisão pessoal, sua condição de principal representante da associação levou inevitavelmente o nome da Aspra-ES para o palanque eleitoral que vinha sendo estruturado em torno do candidato republicano.
Eugênio está no Republicanos e disputa uma vaga na Assembleia Legislativa. Durante seu afastamento, Ted Candeias assumiu a presidência da entidade. Aos 36 anos, Ted acumula seis anos de atuação na diretoria da associação. Em 2022, havia sido eleito vice-presidente.
A presença de Pazolini ao lado de integrantes da direção, poucos dias antes da eleição interna, reforçou entre os associados a percepção de que o grupo pretendia conduzir a Aspra-ES por um caminho político definido antes mesmo de ouvir sua base. O movimento transformou a disputa administrativa em uma avaliação sobre os rumos políticos adotados pela entidade.

A derrota da chapa ligada à atual gestão representa, nesse contexto, um revés indireto para Pazolini. O grupo que demonstrava simpatia por sua candidatura e apresentava sua eleição como uma alternativa para o Espírito Santo perdeu o comando da principal associação representativa das praças militares estaduais.
Aproximação com Hartung virou um problema para o grupo
Outro componente que pesou sobre a atual direção foi a aproximação com o campo político do ex-governador Paulo Hartung, considerado um dos principais articuladores e mentores da candidatura de Pazolini.
Hartung enfrenta uma rejeição histórica entre parcelas expressivas dos policiais militares desde a crise da segurança pública de fevereiro de 2017. Naquele período, o Espírito Santo permaneceu 22 dias em meio à paralisação da Polícia Militar, com aumento expressivo de assassinatos, roubos e furtos.
A declaração de Hartung de que não deixaria “pedra sobre pedra” ao responsabilizar e prometer punições aos envolvidos consolidou uma ruptura política e emocional com grande parte da categoria. Quase uma década depois, as consequências daquele confronto permanecem presentes na memória dos militares e de seus familiares.
Ao aproximar a Aspra-ES de uma candidatura associada diretamente ao ex-governador, a atual direção ignorou uma ferida que continua aberta dentro da corporação. O movimento político, planejado para fortalecer Pazolini entre os profissionais da segurança, produziu o efeito contrário e ampliou a resistência entre os associados.
A entrada antecipada da diretoria no processo eleitoral também retirou da entidade a prudência institucional esperada de uma associação que representa filiados com diferentes posições partidárias. A decisão de apontar um caminho político antes de consultar a categoria ofereceu à oposição interna um argumento decisivo: recuperar a independência da Aspra-ES e devolver aos associados o poder de determinar os rumos da instituição.
Resultado projeta embate entre Ferraço e Pazolini
A vitória de Leonardo Pinheiro também pode ser interpretada como um primeiro sinal do ambiente eleitoral existente entre os profissionais da segurança pública. O resultado não pode ser transferido automaticamente para a disputa estadual, mas revela dificuldades concretas para o grupo de Pazolini em um segmento que deveria apresentar maior receptividade ao seu discurso.
No lado oposto, a derrota da chapa apoiada pela atual direção representa um indicativo favorável ao governador Ricardo Ferraço. A gestão estadual mantém uma relação de maior diálogo com as forças de segurança e encontra um ambiente de pacificação institucional, distante do confronto que marcou a relação entre a Polícia Militar e o governo Hartung.
Ferraço, por sua posição como chefe de Estado, não participou diretamente da eleição da Aspra-ES. A Chapa 07 possui autonomia para conduzir a entidade sem qualquer submissão ao Palácio Anchieta. Como governador sensível às pautas da segurança pública e dos servidores do setor, porém, recebeu os integrantes do grupo em diversas oportunidades e acolheu demandas que podem trazer benefícios aos praças da terra de Ortiz.
A eleição interna da Aspra-ES funcionou, portanto, como o primeiro embate indireto entre os projetos representados por Ferraço e Pazolini. De um lado, está a continuidade de uma administração estadual que busca preservar o diálogo com as tropas. Do outro, uma candidatura que pretende interromper esse ciclo e pode representar, em tese, o retorno a um período marcado por uma relação profundamente desgastada com os policiais militares.
Fonte: Ag. Brasil
























