O governador do Espírito Santo, Ricardo Ferraço (MDB), falou nesta terça-feira (18) sobre a crise envolvendo a Apex Partners e respondeu diretamente ao questionamento sobre a participação de seu filho, Pedro Chieppe Ferraço, no quadro societário da companhia.
A declaração ocorreu durante sabatina promovida pelo Jornal da TV Vitória. Questionado pelo jornalista Edu Kopernick sobre a situação da empresa e a presença de Pedro entre os acionistas, Ferraço afirmou que o filho detinha 3% da sociedade e manifestou confiança em sua inocência e boa-fé.
Chieppe não foi apontado, até o momento, como alvo das medidas judiciais relacionadas às irregularidades que desencadearam o colapso e segue exercendo suas funções na empresa.
Ferraço iniciou a resposta estabelecendo uma separação entre a situação empresarial da Apex e o governo estadual. Segundo ele, recursos do Tesouro do Espírito Santo não estão envolvidos no caso.
“A primeira coisa que eu quero garantir é o seguinte: não há dinheiro público envolvido na crise dessa empresa Apex. Todos os recursos do Tesouro do Estado do Espírito Santo estão aplicados em bancos públicos: Banestes, Caixa Econômica e Banco do Brasil. Então, essa crise não é uma crise que envolve o setor público. Essa é uma crise privada”, afirmou.
A situação da Apex veio a público no início de agosto, depois que uma apuração interna identificou o que a própria companhia classificou como “inconsistências financeiras”. O episódio resultou no afastamento do então presidente e fundador Fernando Antonio Kulnig Cinelli e do diretor financeiro Eduardo Siqueira. O grupo também anunciou a contratação de auditoria externa independente para aprofundar a análise das operações.
Documentos apresentados no processo indicaram passivo líquido consolidado de aproximadamente R$ 975 milhões. A Justiça suspendeu execuções contra empresas do grupo e estabeleceu prazo para a apresentação de eventual pedido de recuperação judicial.
O chefe do Palácio Anchieta também destacou a existência de estruturas de governança dentro da Apex e defendeu que todas as responsabilidades sejam apuradas.
“Porque enquanto essa escalada de endividamento que tá circulando com informações, aliás, eu defendo uma ampla e rigorosa investigação por parte da Justiça, por parte do Ministério Público, por parte da CVM, por parte do Banco Central. Isso precisa ser, obviamente, muito investigado. Mas essa é uma crise privada. Porque enquanto isso acontecia, essa empresa tinha um conselho de administração. Essa empresa tinha uma diretoria, tinha um conselho, tinha auditoria externa”, declarou.
Ao abordar diretamente a posição de Pedro Chieppe no negócio, o governador confirmou que o filho possuía 3% da Apex e ressaltou que os demais 97% estavam nas mãos de outros acionistas.
“O meu filho, de fato, você tá correto, tinha 3% da empresa, mas existem outros 97% de acionistas nessa empresa. Portanto, eu defendo uma rigorosa, uma rigorosa investigação. Eu tenho muita confiança na inocência e na boa-fé do meu filho, mas ele, obviamente, como qualquer cidadão, tá sujeito às regras. Portanto, eu vou reiterar: não tem dinheiro público nessa crise, tá certo? E essa crise é uma crise privada”, afirmou Ferraço.
Fonte: Ag. Brasil























