Os erros que podem custar caro a Cabo Vidal ao transformar oposição política em confronto agressivo por likes

Alan Fardin é jornalista, cristão e conservador, um pecador consciente de suas falhas, que não se fantasia de santo, mas busca viver segundo as virtudes ensinadas por Deus

Cada pessoa que acompanhou a confusão envolvendo o candidato a deputado Cabo Vidal e o prefeito de Marataízes, Toninho Bitencourt, durante o Festival de Inverno deste fim de semana, certamente formará sua própria opinião. Como jornalista e profissional que acompanha a política há muitos anos, considero necessário comentar aquilo que me parece uma sucessão de erros.

A eleição começa a ocupar as ruas, a temperatura sobe e os interesses eleitorais passam a influenciar praticamente todos os movimentos dos grupos envolvidos na disputa. Isso faz parte da política. Candidatos querem votos, aliados querem espaço e adversários procuram explorar as falhas uns dos outros.

Existem, porém, ações que precisam ser avaliadas também pelo resultado que produzem.

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Depois de receber relatos sobre a discussão entre Vidal e Toninho, procurei assistir às imagens das câmeras para compreender melhor o contexto. Queria separar aquilo que poderia ser apenas mais um momento de disputa eleitoral de uma abordagem que tivesse ultrapassado o ambiente normal da política.

Ao observar a movimentação de Vidal e de integrantes de sua equipe, homens fardados de preto seguindo para próximo do veículo onde estava o prefeito, a impressão transmitida é muito ruim.

A tentativa de aproximação ao carro de Toninho, independentemente das justificativas apresentadas posteriormente, ficou perigosamente próxima de um achaque contra um senhor de 78 anos. A cena foi desproporcional.

Vidal, que é policial, talvez esteja permitindo que uma característica que lhe trouxe reconhecimento popular ultrapasse o limite adequado. Sua postura de ir para cima dos nóias, enfrentando aqueles que transformam o Litoral Sul em pontos de consumo de drogas e praticam furtos e roubos, conquistou apoio da população. É uma atuação que muita gente reconhece e aprova, inclusive eu. O problema começa quando essa disposição para o enfrentamento deixa de estar restrita às situações em que ela é necessária e passa a orientar o comportamento político contra adversários.

Isso não é bom para Vidal.

As imagens mostram que houve uma decisão consciente de ir até onde estava o prefeito. Durante todo o tempo da travessia da avenida, Vidal buscava olhar na direção onde estaria Toninho, visualizando-o desde o princípio. Não dá para dizer que foi uma coincidência. Se não houvesse aquela aproximação, provavelmente aquele confronto sequer teria ocorrido daquela maneira, com troca de ofensas entre os envolvidos. Por isso, considero equivocado apresentar tudo simplesmente como uma discussão espontânea entre dois adversários que casualmente se encontraram.

O internauta quer confusão, o eleitor não

Se Vidal acredita que está acumulando capital político com esse tipo de confronto, deveria analisar melhor o ambiente ao redor. Os maiores beneficiados podem ser justamente os candidatos que permanecem longe dessa confusão infrutífera.

Parte do público acompanha conflitos políticos como entretenimento. São pessoas que incentivam novas discussões, comemoram provocações e pedem mais confrontos porque querem assistir ao próximo capítulo. Para elas, pouco importa quem sairá politicamente prejudicado ou quais consequências pessoais poderão surgir. O político que alimenta o próprio ego com esse tipo de reação corre sério risco de confundir engajamento com voto.

O mesmo vale para o tapinha nas costas durante uma visita a uma comunidade. Quem contabiliza cada cumprimento como votação garantida pode enfrentar uma profunda frustração depois da abertura das urnas.

Errou novamente

Também considero necessário tratar de outro elemento explorado por Vidal para alimentar a controvérsia nas redes sociais, o fato de Toninho ter consumido bebida alcoólica durante o festival.

Qual é exatamente o problema?

Bitencourt é um homem adulto, estava em uma festa e, desde que não estivesse dirigindo, causando desordem ou praticando qualquer conduta incompatível com a lei, consumir bebida alcoólica pertence à esfera de sua vida pessoal, e ali era o ambiente para tal. O exercício do cargo público impõe responsabilidades permanentes quanto aos atos administrativos, ao uso dos recursos públicos e ao comportamento institucional. Isso não transforma um prefeito em alguém privado de vida particular durante as 24 horas do dia. E Toninho beber sua cerveja nunca foi segredo para ninguém, fato que não faz diferença para seu eleitor.

A presença do prefeito no próprio Festival de Inverno deve, inclusive, ser interpretada naturalmente. O gestor participou de um evento realizado no município que administra e demonstrou confiança na programação entregue à população e aos visitantes. Se o político não estiver onde o povo está, estará onde?

Cabo Vidal tem o direito de fazer oposição, fiscalizar Toninho, questionar sua administração e disputar politicamente cada voto. Toninho também precisa compreender que ocupa uma posição pública e será permanentemente observado, criticado e cobrado, além de ser estimulado a perder a paciência. Em tempos de internet, um vídeo de corte fora do contexto é tudo o que a oposição quer. Então, ir embora é o melhor caminho.

Fonte: Ag. Brasil