Saúde vascular: reconhecer os sinais pode evitar complicações 

As doenças vasculares podem evoluir de forma silenciosa, mas alguns sinais indicam que é hora de procurar avaliação médica. Inchaço repentino em apenas uma perna, dor acompanhada de calor e vermelhidão, alterações na coloração ou temperatura dos membros, feridas que não cicatrizam e dor nas pernas ao caminhar estão entre os sintomas que merecem atenção. Em situações mais graves, manifestações como falta de ar súbita, dor no peito, desmaio ou tosse com sangue podem indicar uma complicação da trombose e exigem atendimento de urgência.

Segundo Carlos André Daher, angiologista e cirurgião vascular do Hospital Santa Rita, os sinais de alerta variam de acordo com o problema que afeta a circulação.

“Um inchaço súbito em apenas uma perna, principalmente quando acompanhado de dor, calor ou vermelhidão, pode ser um sinal de trombose venosa profunda. Se aparecer junto com falta de ar repentina, dor no peito, palpitações, desmaio ou tosse com sangue, existe a possibilidade de embolia pulmonar, que é uma complicação potencialmente grave”, explica.

Nas doenças arteriais, também é importante observar mudanças que surgem de maneira repentina. Dor intensa em um braço ou perna, palidez, frieza, formigamento, perda de força ou ausência de pulso podem indicar uma alteração aguda da circulação. Dificuldade repentina para falar, alteração da visão ou fraqueza em um dos lados do corpo também exigem atendimento imediato. Dor abdominal ou nas costas de início súbito e intensa pode estar relacionada a problemas vasculares e igualmente precisa ser investigada.

Nem todas as manifestações, porém, aparecem de forma abrupta. Dor na panturrilha durante uma caminhada que melhora com o repouso, inchaço persistente, mudanças na pele, escurecimento próximo aos tornozelos e feridas que demoram a cicatrizar podem indicar problemas circulatórios que necessitam de acompanhamento.

“Algumas doenças vasculares permanecem silenciosas durante anos. Por isso, a ausência de dor ou de sintomas evidentes não significa necessariamente que a circulação esteja normal”, alerta Daher.

Acompanhamento e prevenção

Não existe uma idade específica para iniciar um acompanhamento vascular. A indicação depende dos sintomas, do histórico familiar e dos fatores de risco. Pessoas com diabetes, hipertensão, colesterol elevado, obesidade, doença renal ou histórico de tabagismo, por exemplo, apresentam maior risco de desenvolver determinadas doenças arteriais. O acompanhamento também é importante para quem já teve trombose, embolia, aneurisma ou obstruções arteriais.

“Uma avaliação preventiva ganha ainda mais importância a partir dos 40 ou 50 anos quando existem fatores de risco associados. Em alguns grupos, o médico pode indicar exames específicos para rastreamento. O importante é individualizar essa avaliação, porque os riscos variam de uma pessoa para outra”, afirma o angiologista.

No caso das doenças venosas, fatores como histórico familiar, gravidez, excesso de peso, envelhecimento e longos períodos em pé ou sentado podem favorecer o aparecimento de varizes. A mobilidade reduzida também aumenta o risco de problemas circulatórios. Já a trombose venosa pode estar relacionada a situações como cirurgias, internações, períodos prolongados de imobilização, viagens longas, câncer, gestação e pós-parto.

Um aspecto que merece destaque é que a saúde dos vasos sanguíneos está diretamente ligada aos hábitos mantidos ao longo da vida.

“As doenças cardiovasculares, que incluem diferentes condições que afetam o coração e os vasos, são atualmente a principal causa de morte no mundo. Cuidar da circulação não deve começar apenas quando surge um sintoma. Controlar a pressão, manter o diabetes e o colesterol sob controle, abandonar o cigarro e incorporar atividade física à rotina são atitudes que ajudam a preservar os vasos e reduzir o risco de complicações no futuro”, orienta Raney Matos, cirurgião vascular e professor do Unesc.

Varizes vão além da questão estética

Apesar de muitas vezes serem associadas apenas à aparência das pernas, as varizes fazem parte da doença venosa crônica e podem provocar sintomas e complicações. Elas surgem quando as válvulas das veias não funcionam adequadamente, favorecendo o acúmulo de sangue e o aumento da pressão no sistema venoso.

Dor, sensação de peso ou cansaço nas pernas, coceira, queimação, inchaço e câimbras podem indicar que o problema já está causando repercussões. Em quadros mais avançados, podem ocorrer inflamações, coágulos nas veias superficiais, sangramentos, alterações na pele e úlceras venosas.

“As varizes não precisam chegar a um estágio avançado para serem avaliadas. O ultrassom Doppler permite identificar quais veias estão comprometidas e ajuda a definir a melhor estratégia para cada paciente. Além dos sintomas físicos, a doença também pode afetar a autoestima e a qualidade de vida, levando a pessoa a esconder as pernas ou modificar hábitos”, destaca o médico do Hospital Santa Rita.

Tratamentos mais modernos

Os tratamentos vasculares também passaram por avanços importantes nos últimos anos. Muitas condições que anteriormente exigiam procedimentos cirúrgicos mais extensos podem, atualmente, ser tratadas por técnicas minimamente invasivas, realizadas por pequenas punções e com recuperação mais rápida.

Para as varizes, a escolha depende do tipo e da extensão do comprometimento identificado no ultrassom Doppler. Entre as possibilidades estão o endolaser, a escleroterapia líquida ou com espuma, a microcirurgia e o laser transdérmico. Em determinados casos, esses procedimentos podem ser realizados em ambiente ambulatorial, permitindo um retorno mais rápido às atividades.

“O endolaser é uma das alternativas utilizadas quando existem veias de maior calibre ou safenas doentes. A técnica permite fechar a veia por dentro, sem a necessidade de retirá-la cirurgicamente. A escolha do tratamento, entretanto, deve considerar as características de cada paciente”, explica o médico.

Na trombose venosa profunda, a anticoagulação continua sendo a principal estratégia terapêutica. Os medicamentos têm como objetivo impedir o crescimento do coágulo e reduzir o risco de embolia pulmonar. Em casos graves e selecionados, procedimentos realizados por cateter podem ser considerados para dissolver ou retirar o trombo, especialmente quando há comprometimento importante da circulação venosa ou risco para o membro.

Já nos aneurismas, a conduta depende de fatores como localização, tamanho, velocidade de crescimento, presença de sintomas e risco de ruptura. Alguns casos podem ser acompanhados periodicamente, com controle de fatores como pressão arterial, colesterol e tabagismo. Quando há indicação de intervenção, técnicas endovasculares podem permitir a implantação de uma endoprótese por meio de pequenas incisões, geralmente na região da virilha.

“O avanço da cirurgia vascular não está apenas nos novos equipamentos e técnicas. Hoje temos mais recursos para avaliar o risco de cada paciente e escolher com maior precisão o momento de intervir e qual tratamento oferece a melhor relação entre segurança e benefício”, conclui Carlos André Daher.

Fonte: Ag. Brasil