A crescente demanda por alimentos de origem animal, aliada à necessidade de sistemas de produção mais sustentáveis, motivou a pesquisadora Jennifer Gasparina a buscar alternativas aos aditivos tradicionais como os antibióticos ionóforos, utilizados na nutrição de ruminantes.
No Programa de Pós-graduação em Ciência Animal e Pastagens da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), a zootecnista avaliou o uso do óleo essencial de laranja (D-limoneno) como aditivo natural na dieta de ovinos, buscando melhorar o desempenho produtivo dos animais.
“A proposta foi aumentar a eficiência alimentar e, consequentemente, encurtar o ciclo de confinamento, o que pode resultar em maior produtividade e redução dos custos de produção. Além disso, o trabalho também investigou os efeitos deste aditivo sobre a fermentação ruminal, o metabolismo de nutrientes e a produção e composição (perfil de ácidos graxos) do leite em ovelhas lactantes”, explica Jennifer.
O projeto foi desenvolvido nas instalações do Sistema Intensivo de Produção de Ovinos e Caprinos “Profa. Ivante Susin”, do departamento de Zootecnia da Esalq e contou também com colaboração internacional da Central Queensland University, na Austrália. Jennifer conta que o estudo envolveu diferentes etapas experimentais, incluindo ensaios com cordeiros em confinamento, avaliações com ovelhas lactantes e estudos laboratoriais. Além disso, foram realizados experimentos in vitro na Central Queensland University, com o objetivo de avaliar a fermentação ruminal e a produção de gases, incluindo metano, ampliando a compreensão dos efeitos do aditivo em condições controladas.
“Foram analisados parâmetros como consumo alimentar, digestibilidade, fermentação ruminal, produção de metano, desempenho dos animais e qualidade dos produtos, como carne e leite”, complementa a autora do estudo, que teve orientação do professor Evandro Maia Ferreira, do departamento de Zootecnia da Esalq.
Resultados – Os resultados indicaram que o uso do óleo essencial de laranja é uma alternativa promissora na nutrição de ovinos.
“O produto contribuiu para o aumento do consumo de matéria seca em diferentes fases produtivas, como em cordeiros confinados e ovelhas lactantes. Também foram observadas alterações no perfil de ácidos graxos, reduzindo a proporção de gorduras saturadas”.
Outro destaque dos resultados foi a alteração no perfil lipídico do leite, com redução de ácidos graxos saturados, o que pode representar um avanço na qualidade nutricional do produto.
“Ainda assim, é importante considerar que esses compostos também desempenham funções importantes tanto na nutrição humana quanto no desempenho animal, reforçando a necessidade de equilíbrio e de novos estudos para melhor compreensão desses efeitos”, pondera a autora.
Um dos principais diferenciais do estudo, de acordo com a pesquisadora, foi a abordagem integrada, avaliando desde aspectos fermentativos até desempenho produtivo e qualidade de produtos (leite).
“É positivo ainda o fato de que tivemos o foco em uma solução alinhada à realidade brasileira, utilizando um composto abundante e originado de um setor muito importante da nossa indústria, com potencial de aplicação prática no setor produtivo, além de contribuir para a sustentabilidade ambiental”.
O trabalho contou com financiamento da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) e Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). Também contou com apoio de empresas parceiras, como a CP Kelco, responsável pelo fornecimento do óleo essencial de laranja, a Elanco, que forneceu monensina e narasina, a Alltech, com o produto Agolin Ruminant, e a Silvateam, com o fornecimento do SilvaFeed.
“É importante também agradecer a parceria com os professores Simon Quigley da Central Queensland University, além dos professores Diogo Costa e Alexandre Vaz Pires”.
Fonte: Ag. Brasil























