“Colosso de Areia” chega ao coração da Prefeitura de Vitória; secretário de Obras depõe na Delegacia de Combate à Corrupção nesta sexta (7)

O secretário de Obras da Prefeitura de Vitória, Gustavo Perin de Medeiros, presta depoimento nesta sexta-feira (7) à Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (DECCOR). A oitiva ocorre no momento em que a Polícia Civil aprofunda uma investigação paralela à Operação Colosso de Areia para apurar suspeitas de direcionamento de licitações, favorecimento em contratos públicos e lavagem de dinheiro.

A convocação tem relevância porque Gustavo Perin ocupa a Secretaria de Obras desde o início da administração de Lorenzo Pazolini, em 2021, e permaneceu à frente da pasta na gestão da prefeita Cris Samorini.

Embora a Operação Colosso de Areia tenha sido deflagrada em julho, a convocação do secretário representa um novo desdobramento das investigações conduzidas pela Polícia Civil.

Em nota encaminhada à imprensa, a DECCOR informa que o inquérito apura possíveis irregularidades em procedimentos licitatórios e contratos administrativos celebrados por órgãos públicos municipais, além da eventual prática de crimes contra a Administração Pública, o sistema licitatório e lavagem de dinheiro.

Segundo a Polícia Civil, as investigações tiveram origem em uma denúncia que apontava possível direcionamento de licitações em favor de empresas do ramo da construção civil, além da existência de movimentações financeiras consideradas atípicas, especialmente relacionadas à realização de elevados saques em dinheiro vivo.

A corporação afirma que, durante as diligências, foram identificados indícios de vínculos empresariais entre investigados, participação recorrente de empresas e consórcios em licitações públicas e circunstâncias que indicam a necessidade de aprofundar a apuração sobre estruturas societárias utilizadas para ocultar a real gestão das empresas e a movimentação dos recursos.

A Polícia Civil também confirmou que utiliza elementos produzidos por outras forças de investigação, incluindo a prisão em flagrante realizada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO), em setembro de 2025, quando aproximadamente R$ 2 milhões em espécie foram apreendidos. Esse procedimento originou posteriormente a Operação Colosso de Areia, conduzida pela Polícia Federal.

Durante a operação realizada em julho deste ano, a PF cumpriu 17 mandados de busca e apreensão em cinco municípios capixabas. Conforme divulgado pela corporação, os grupos empresariais investigados mantiveram contratos públicos que somam aproximadamente R$ 908,8 milhões entre 2017 e 2025.

A investigação também aponta, em tese, que empresas de fachada teriam sido utilizadas para ocultar recursos provenientes desses contratos, mediante sucessivas transferências financeiras e elevados saques em espécie.

Os alvos da investigação são cinco empresas ligadas aos setores de construção, engenharia, transporte e prestação de serviços. Pelo menos nove municípios capixabas mantiveram contratos públicos com esse grupo empresarial, conforme as apurações.

A convocação de Gustavo Perin ocorre em meio à repercussão de áudios divulgados em 2024 e atribuídos ao secretário de Obras. Nas gravações, Perin aparece em conversas com empreiteiros tratando de obras públicas, licitações e supostos favorecimentos.

Em um dos trechos divulgados, o secretário menciona o então secretário de Meio Ambiente de Vitória, Tarcísio Foeger, afirmando que seria necessário “arranjar umas putas” para influenciar decisões relacionadas ao licenciamento ambiental da obra do Mergulhão.

Em outro áudio, Gustavo Perin faz referência ao empresário Lucas Maciel, ligado à empresa Renova, uma das posteriormente alcançadas pela Operação Colosso de Areia. Na conversa, Perin afirma: “Eu te dei a planilha, se vira. Quer que eu mude, né?”.

Em sua nota, a Polícia Civil enfatiza que todas as investigações permanecem sob sigilo e que nenhuma responsabilização pode ser antecipada.

“A investigação permanece em andamento e eventual responsabilização criminal dependerá da conclusão das investigações, da individualização das condutas, do contraditório e da ampla defesa, observando-se integralmente o princípio constitucional da presunção de inocência”, afirmou a DECCOR.

A reportagem procurou o advogado de Gustavo Perin para comentar a convocação do secretário à DECCOR e os fatos abordados na investigação. Até a publicação desta matéria, não houve manifestação. O espaço permanece aberto para eventual posicionamento.

Fonte: Ag. Brasil