7 de Setembro: a independência que o povo precisa proclamar contra a degradação do STF, da PGR e PF

Fernando Mathias é jornalista, pai de Lara e Laura, cristão por essência e flamenguista de coração

A figura de Dom Pedro I ocupa um lugar legítimo e indispensável na história brasileira. O príncipe assumiu a responsabilidade política de conduzir a separação de Portugal, contrariou as determinações das Cortes de Lisboa e liderou a formação de um país independente. Sua decisão também contribuiu para preservar a unidade territorial brasileira em um período no qual outras antigas colônias se fragmentaram em diversas repúblicas.

Reconhecer os limites do processo de independência não exige diminuir a importância de Dom Pedro. A análise histórica precisa distinguir a atuação decisiva do imperador das condições políticas, econômicas e sociais existentes em 1822.

A separação não representou, de imediato, o início de um país melhor, pois o sistema preservou muitas das mesmas engrenagens disfuncionais, a participação política continuava restrita e manteve a indecência da escravidão. Somente em 13 de maio de 1888, com a assinatura da Lei Áurea pela Princesa Isabel, a escravidão foi oficialmente abolida no Brasil.

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O reconhecimento formal da independência também impôs ao país um elevado compromisso financeiro. Pelo tratado firmado em 1825, o Brasil concordou em pagar uma indenização de 2 milhões de libras esterlinas a Portugal, operação viabilizada por um empréstimo britânico.

Essas circunstâncias demonstram que a independência representou a conquista da soberania territorial do Brasil perante outra nação, mas não significou a libertação plena da população das amarras do establishment político, econômico e social.

No entanto, o povo brasileiro adotou o 7 de Setembro e conferiu à data um significado mais amplo, transformando-a em símbolo do orgulho pela pátria, do respeito à bandeira, da defesa das famílias, da unidade territorial e do direito da nação de determinar seu próprio destino.

Em 2026, essa independência precisa ser defendida novamente. A ameaça atual parte de uma estrutura institucional na qual autoridades acumulam poderes extraordinários, interferem no debate público, restringem direitos e encontram proteção corporativa quando surgem suspeitas contra seus próprios integrantes.

A Constituição estabelece que todo poder emana do povo. Esse princípio perde força quando instituições criadas para servir à sociedade passam a agir como estruturas autônomas, resistentes à fiscalização e distantes da prestação de contas. A autoridade judicial depende de imparcialidade, equilíbrio e credibilidade. A deterioração desses fundamentos transforma o exercício da função pública em instrumento de poder pessoal.

O caso envolvendo Daniel Vorcaro e o Banco Master apresentou elementos que exigem uma resposta imediata. Um relatório de 218 páginas da Polícia Federal reuniu mensagens, registros de chamadas, contratos e outros dados extraídos do aparelho do banqueiro. A investigação identificou dezenas de mensagens enviadas a um contato atribuído ao ministro Alexandre de Moraes.

Em parte desses registros, Vorcaro buscava auxílio para conter investigações e mencionava autoridades que seriam Paulo Gonet, procurador-geral da República, e Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal. O mafioso também consultou o interlocutor apontado como Moraes sobre a conveniência de deixar o país antes de ser preso.

A extração recuperou principalmente mensagens enviadas por Vorcaro e, isoladamente, ainda não comprova que todos os pedidos tenham sido atendidos. Essa limitação técnica determina o aprofundamento da investigação. Utilizá-la como justificativa para encerrar o caso significaria impedir que a sociedade conheça a extensão das relações mantidas pelo banqueiro com integrantes da cúpula togada.

O proprietário de um banco investigado por uma fraude financeira bilionária aparentemente considerava Alexandre de Moraes acessível para tratar de assuntos relacionados à sua defesa. Ele também acreditava que Paulo Gonet e a cúpula da Polícia Federal poderiam ser acionados em benefício de seus interesses.

A sociedade precisa saber a origem dessa confiança, a frequência dos contatos e a existência de eventuais contrapartidas. Também precisa descobrir se informações protegidas foram compartilhadas e se alguma autoridade atuou para favorecer o banqueiro. Uma rede de influência com essas características apresenta métodos próprios de uma engrenagem mafiosa, baseada no acesso privilegiado, na proteção recíproca e na utilização de cargos públicos em favor de interesses particulares.

A posição adotada por Paulo Gonet agravou o quadro. Embora seu nome apareça no material, o procurador-geral pediu a anulação do relatório e sustentou que André Mendonça ultrapassou os limites de sua atuação. O debate processual pode ser examinado pelo tribunal, mas Gonet perdeu a independência necessária para participar de qualquer decisão sobre provas que atingem sua própria conduta.

A tentativa de eliminar o relatório antes de uma apuração conduzida por autoridade isenta produz um evidente conflito de interesses. O chefe da Procuradoria-Geral da República não pode atuar simultaneamente como responsável pela análise e como autoridade mencionada nos elementos examinados.

Alexandre de Moraes e Paulo Gonet precisam deixar seus cargos. A saída deve ocorrer pelos mecanismos constitucionais, com investigação independente, atuação do Senado e respeito ao devido processo legal. A presunção de inocência permanece garantida, mas funções dessa dimensão exigem confiança pública, imparcialidade e autoridade moral. Os fatos conhecidos comprometeram essas condições.

A proteção ao STF exige a apuração da conduta de seus integrantes. Preservar o tribunal significa impedir que a autoridade de um ministro seja utilizada como barreira contra investigações. A defesa da Procuradoria-Geral da República também exige que seu chefe seja afastado de qualquer procedimento no qual apareça como parte interessada.

A permanência de Moraes e Gonet amplia a percepção de que determinadas autoridades conquistaram uma posição prática acima da lei. A complacência institucional diante de suspeitas dessa magnitude mancha a história dos órgãos envolvidos e mantém no poder aqueles que deveriam prestar esclarecimentos à população.

A independência que os brasileiros precisam defender neste 7 de Setembro será afirmada pela pressão legítima da sociedade nas ruas.

Fonte: Ag. Brasil